Shoboji

Relatos de experiência

Relato de Wagner Attizano

Bom dia a todos.

Meu nome é Wagner Attizano.Conheci o Budismo de Nitiren Daishonin no ano de 1968 através de minha mãe. Ela anteriormente praticava o espiritismo, apesar de também frequentar a igreja católica, oportunidade em que adoeceu, ficando com a saúde gravemente comprometida. Nesta ocasião, uma tia minha convidou minha mãe e meu pai a conhecerem o Verdadeiro Budismo. Como o estado de minha mãe era grave ela logo começou a participar das reuniões budistas. Havia um senhor chamado Tokunaga que a assistia com muito empenho e dedicação, orientando-a quase que diariamente, objetivando sua recuperação. A melhora não demorou a aparecer e depois de seis meses minha mãe já estava totalmente recuperada e muito mais saudável do que foi em toda a sua vida. Fiquei muito feliz com este fato. Posteriormente minha mãe e meu pai me incentivaram a praticar o Budismo, mas eu rejeitei a idéia, dizendo aos meus pais que não estava doente, pelo contrário, me sentia muito bem, e também havia nascido e me criado dentro do catolicismo e pretendia continuar assim. Como eu havia me negado a praticar o Budismo, não demorou muito e o dedicado Sr.Tokunaga esteve em minha casa e me convidou para participar em uma reunião de jovens, ao que eu agradeci porém recusei e acrescentei não ter nenhum motivo para ser budista, posto que era feliz, tinha boa saúde e já professava uma religião, que era o catolicismo.

A bondade do sr.Tokunaga era imensurável e ele era incansável, visitando-me semanalmente e incentivando-me a praticar o budismo, convidando-me para fazer as atividades, sempre disposto a me ensinar a prática da fé, mas sempre recusei e já estava achando inconvenientes os seus convites.

Pois bem, o tempo passou e chegou o mês de junho do ano de 1971. Como sempre, eu estava muito bem, trabalhando bastante e tinha uma boa situação, porém em determinado dia senti um mal estar que me fez retornar do trabalho para casa. Ao chegar em casa resolvi deitar-me um pouco para ver se eu melhorava, mas a situação começou a se agravar dia após dia, semana após semana e mês após mês.

Nesta ocasião eu ia a um médico pela manhã que me passava uma receita, outro à tarde que me passava outra receita e outro que me visitava à noite em casa e me receitava outros medicamentos e me aplicava uma injeção para eu conseguir dormir, pois meus dias eram de grande sofrimento. Eu não conseguia comer e nem beber nada. Se eu comesse algo logo meu corpo rejeitava e expelia o alimento.

Meu pai gastava fábulas de dinheiro em médicos e remédios comigo, e apesar disso, eu definhava a cada dia. O Sr. Tokunaga continuou me visitando e me pedindo para recitar o Nam-Myo-Ho-Rengue-Kyo, mas eu ainda não aceitava.

Resolvi então fazer promessas (pois era católico) e as promessas não resultavam em nada positivo, muito pelo contrário, a situação se agravava.

Nesta época eu ainda era noivo da minha esposa, só que ao invés de eu ir à casa dela, ela é quem vinha em minha casa me visitar, pois eu não conseguia sair da cama e meu estado era lastimável.

Como as promessas não davam resultado resolvi então procurar ajuda também no espiritismo e lá ia eu e minha noiva a centros de mesa branca e etc, para ver se eu conseguia alguma melhora. E a situação só se agravava. Fui a todos os lugares que me indicavam, a procura da minha saúde, mas não a encontrei. Me recordo que chegou o mês de dezembro de 1971 e eu com 1,75 m de altura estava com um aspecto muito feio, pesando 38 quiilos. Certa noite, o médico veio me consultar e como de costume me aplicou uma injeção para que eu pudesse dormir um pouco. Como a injeção era muito forte o médico depois de alguns minutos pensou que eu já estivesse dormindo, mas eu, mesmo com a injeção, não consegui dormir. Então ouvi a conversa do meu pai com o médico, perguntando-lhe quando eu começaria a ter alguma melhora, ao que o médico respondeu que a medicina já havia feito por mim tudo o que podia e que meu pai aguardasse nos próximos dias pela minha morte.

Chegou então o dia 24 de dezembro e um colega de escola veio me visitar para saber como estava a minha saúde. Ficando em companhia deste colega, eu pedi a meu pai que fosse comprar um presente para eu dar para a minha noiva que deveria vir me visitar à noite, pois eu ainda não era budista e portanto, comemorava o Natal.

Meu colega precisou ir embora antes que o meu pai retornasse, pois havia chegado parentes em sua casa.

Então, eu fiquei sozinho em casa e comecei a passar muito mal. Os sintomas se agravavam e com muita dificuldade levantei-me da cama onde já estava há seis meses, objetivando chegar até a rua para avistar algum vizinho e pedir para que me levasse a um hospital, pois sentia que estava morrendo, como o médico havia falado. Eu não queria que quando meus pais chegassem me encontrassem morto dentro de casa, por isso eu queria chegar até o hospital, pois eu achava que se lá morresse, a impressão desagradável da morte para meus pais seria menor.

Porém, não consegui meu intento. Quando cheguei na metade de uma área de inverno que tinha em minha casa, eu caí e comecei a perder meus sentidos, de tal modo que me via velozmente caminhando em direção a uma luz. Neste momento, ainda com alguma lucidez me lembrei das palavras que tanto o do Sr. Tokunaga havia me dito: “Wagner recite o Nam-Myo-Ho-Rengue-Kyo”.

Assim, já inconsciente pensei que não queria partir deste mundo sem atender à solicitação do Sr.Tokunaga e mesmo caído no chão, comecei a recitar o Nam-Myo-Ho-Rengue-Kyo mentalmente.

Subitamente comecei a retornar daquela luz para qual eu estava caminhando e acabei acordando no chão. Surpreendentemente, eu estava me sentindo muito bem, como se nada tivesse me acontecido durante aqueles seis meses. Levantei-me e resolvi ir para a garagem onde meu carro estava parado por seis meses. Resolvi então lavá-lo, e assim o fiz.

Quando meus pais chegaram e me viram lavando o carro ficaram muito surpresos e então eu contei a eles tudo o que havia ocorrido. Fui tomar banho e fazer minha barba que já estava crescida. Coloquei uma roupa nova e anunciei a meus pais que eu iria com meu carro visitar a minha noiva. Em princípio, eles me falaram que não era adequado, por conta do meu estado, mas eu fui assim mesmo.

Eu notei que meu tio, certamente a pedido do meu pai, me seguia com seu carro, o que fez até a casa de minha noiva.

Esta quando me viu ficou surpresa, perguntando-me como tinha conseguido chegar até lá.

Contei a ela todo o acontecido e afirmei que a partir daquele momento, eu me converteria à Nitiren Shoshu e seria budista.

De imediato, ela falou que também se converteria, por ter acompanhado tudo o que havia ocorrido comigo.

A partir deste momento, minha saúde melhorou, voltei à minha vida normal, estudando e trabalhando, retomando tudo que havia ficado parado naquele período.

Naquela época, fui orientado no sentido de que a minha cura havia se dado de forma muito rápida por benevolência do Gohonzon, pois se aquela enfermidade perdurasse por mais tempo, eu não resistiria.

Na realidade, quando tudo isto aconteceu eu ainda não possuia uma prática da fé suficientemente sólida para justificar tamanho benefício.

Foi-me dito então que a dificuldade pela qual passei, provavelmente retornaria, para que eu pudesse eliminá-la totalmente.

Isto de fato aconteceu. Após alguns anos, a doença retornou de forma abrandada e com uma prática sólida e o daimoku acumulado ao longo destes anos, consegui tornar aquele carma que era pesado em leve e eliminá-lo totalmente. Este segundo episódio ocorreu no ano de 1977, quando já estava casado e tinha minha filha mais velha, e de lá para cá, esta doença não mais se manifestou.

Hoje, tenho três filhos e um neto e todos praticamos o verdadeiro budismo.

No curso de minha vida, depois disto tudo, me defrontei com problemas e obstáculos, provenientes de minhas más causas do passado, os quais sempre tenho resolvido, intensificando cada vez mais a minha prática.

Ainda no início deste ano tive que me submeter a uma cirurgia que normalmente tem uma recuperação difícil, dolorosa e longa e posso afirmar a todos que na semana seguinte, já tinha retomado a quase todas atividades, trabalhando e cumprindo quase que totalmente meus compromissos diários. Este acontecimento foi um benefício evidente e inquestionável, assinalando que até os médicos que fizeram o acompanhamento do meu período pós-operatório se surpreenderam com a minha recuperação.

Por tudo isto sou muito grato ao GOHONZON e espero que todas as pessoas possam assim como eu usufruir das virtudes desta prática budista.

Muito Obrigado.